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Patogênese
POSSÍVEIS MECANISMOS DO DESENVOLVIMENTO
DA TSP/HAM
INTRODUÇÃO
Foi observado que 32% dos pacientes com TSP/HAM
produziram anticorpos alolinfotrópicos no sangue periférico
(principalmente nas células T, bem como células
B), que pertencem à classe IgM, reagiram em condições
de temperaturas diferentes, e mostrou especificidade para antígenos
múltiplos de HLA, especialmente HLA A2, A26, A33, B7, B27,
B35, B48, B61 e Cw3. Então, pode-se sugerir que qualquer
classe do antígeno anti-HLA produz reação
cruzada com HLA presente. Anticorpos de citotoxidade de baixa
especificidade foram detectados em 14% do soro de portadores assintomáticos.
As células infectadas pelo HTLV-I expressam antígenos
HLA alterados e podem responder a esta estimulação
(33,34). Porém, em outro estudo (35), indivíduos
que expressam HLA-A*02+ pode prevenir 28% dos casos de TSP/HAM,
e os portadores sintomáticos de HTLV-I têm a carga
proviral um terço menor do que indivíduos com doença
sem a presença deste haplótipo. Estes achados implicam
que uma forte resposta de classe restrita das CTL beneficia o
hospedeiro a reduzir a carga viral.
A tabela 1 mostra algumas características
da TSP/HAM e ATL e a Figura 1 ilustra os possíveis mecanismos
da TSP/HAM. A ativação das CTL e das células
infectadas pelo HTLV-I proporcionam uma migração
para o SNC e infectam células neurais. Algumas células
CD8+ citolíticas podem reconhecer antígenos virais
nas células do SNC infectadas pelo HTLV-I, causando uma
desmielinização. Entretanto, não há
como ter uma ação específica contra as células
do SNC. Então, a presença da liberação
de IFN-g na infecção pelo HTLV-I e seu reconhecimento
pela células T CD8+, induzida pelas citocinas secretadas
pela microglia, como o TNF-a e IL-6, são tóxicas
para a mielina (35,36). Mecanismos autoimunes podem existir, com
a ocorrência de: a) uma auto ativação das
células T com os antígenos do SNC, ou b) infecção
nas células T resultando na auto reativação
das células T do SNC. Estes, em troca, é ativado,
expandindo e migrando para o SNC, onde encontram seus antígenos,
com a ocorrência conseqüente de uma resposta imune
específica e desmielinização. A existência
de uma herança genética, como a presença
de alguns haplotipos HLA (31-35), pode ter alguma implicação
para suscetibilidade do hospedeiro.
Finalmente, a baixa resposta das CTL para o HTLV-I
desenvolve uma alta carga pró-viral como resultado da ativação
da infecção crônica difundida em células
de T (36). Assim, uma desregulação imune com alta
produção do receptor de IL-2 pelas células
T, podem atrair mais células, produzindo estimulante de
outras citocinas como o IFN-g, ou uma grande expressão
de moléculas de adesão podem ter um papel importante
na TSP/HAM (37,38). Em contraste, nossas observações
preliminares mostraram que PBMC obtida de 2 pacientes com TSP
e pacientes co-infetados pelo HIV-1/HTLV-I mostrou alto níveis
de IL-10, baixo níveis de IL-2 e níveis de IFN-g
comparado a portadores assintomáticos de HTLV-I. Estes
achados podem indicar que uma mudança com predomínio
padrão Th2 e é observado em TSP/HAM com HIV-1 e
HTLV-I infecção (39,40).
Em conclusão, a patogenênese da TSP/HAM
é um fenômeno de multivariável de ativação
do sistema imune, principalmente IFN-g, contra a presença
de antígenos HTLV-I, conduzindo a um processo inflamatório
crônico e desmielinização na medula espinhal
de alguns portadores do HTLV-I.
Apoio: Fapesp 99/11188-1, Fundação
Faculdade de Medicina da USP
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