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Epidemiologia
HTLV-1
Doenças associadas
Duas doenças foram definitivamente associadas com
HTLV-I: leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL) e um quadro
neurológico degenerativo crônico, mielopatia/ paraparesia espástica
tropical associada ao HTLV-I (HAM/TSP). ATL é uma malignidade
de CD4+ T-linfócitos infectados pelo HTLV-I. O provírus do HTLV-I
é monoclonalmente integrado na população de células anormais.
Um amplo espectro clínico foi descrito como característica patológica,
incluindo as formas aguda, crônica, linfomatosa e leve (36,37).
A forma aguda de ATL é caracterizada por infiltração de linfonodos,
vísceras e pele com células malignas, resultando em uma variedade
de características clínicas (Tabela 2). Linfócitos circulantes
anormais, células chamadas em forma de flor, geralmente são observados.
Hipercalcemia, enzimas hepáticas anormais, e lesões líticas dos
ossos são comuns. A sobrevivência mediana é de 11 meses a partir
do diagnóstico. A quimioterapia convencional não é curativa, e
recaídas acontecem frequente e rapidamente, embora sobrevivência
prolongada tem sido notada. A ATL foi calculada para acontecer
em 2%-4% de pessoas em regiões onde HTLV-I é endêmico e onde a
infecção precoce na infância é comum (38,39). A ATL, freqüentemente,
acontece entre pessoas 40-60 anos de idade, sugerindo um período
de latência de algumas décadas, para o desenvolvimento da doença.
Foi relatado um caso de ATL em um paciente imunocomprometido em
que a infecção parece ter sido adquirida por transfusão (40).
A HAM/TSP é caracterizada pela fraqueza progressiva dos membros
inferiores, constante, com espasticidade, hiperreflexia, perturbações
sensoriais e incontinência urinária (Tabela 2). Em pacientes com
HAM/TSP, ao contrário daqueles com esclerose múltipla, os sinais
e sintomas são progressivos, os nervos cranianos não são envolvidos
e a função cognitiva não é afetada. Anticorpos anti-HTLV-I são
encontrados no fluido cerebrospinal (41). Tratamento com corticoteróides
foi relatado como útil em alguns casos (42). Danazol, um andrógeno
sintético, melhora sintomas segundo relatos, inclusive deficiência
orgânica da função vesical (43,44) e mais recentemente o uso de
interferon-2-alfa tem obtido bons resultados ( ). A HAM/TSP desenvolve-se
em menos de 1% das pessoas com HTLV-I (45); acredita-se que é
imunologicamente mediada, e freqüentemente afeta mais as mulheres
que os homens. O período de latência para HAM/TSP é mais curto
de que para ATL; casos de HAM/TSP foram associados à transfusão
de sangue, com um intervalo mediano de 3.3 anos entre transfusão
e desenvolvimento de HAM/TSP (46). Recentemente, dermatite infectiva,
um eczema crônico associado ao Staphylococcus aureus e ao grupo
estreptococo beta-hemolítico, foi observada em crianças jamaicanas
infectadas com HTLV-I (47). O espectro de doenças associadas ao
HTLV-I pode incluir outras desordens. Casos de polimiosite (48),
artropatia crônica (49), panbronquite (50), e uveite (51) foram
relatados em pacientes infectados com o HTLV-I.
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